terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Brouillard - capitulo 4



Seth entrou no quarto de Edward sem chamar, um hábito que sabia que logo teria que abandonar. Emmett estava acabando de vestir Edward e, como de costume, o pobre escudeiro estava visivelmente nervoso.
A estadia tinha mudado de aspecto desde que Edward a tinha visto pela primeira vez: junto à arca que havia inicialmente no quarto, agora havia outra, a arca de Edward, justo ao outro lado da bacia. E precisamente naquela segunda arca, Emmett se achava enterrado até seus fornidos ombros.
—Será melhor que o encontre, moço —murmurou Edward em um tom grave — O encarreguei expressamente para uma ocasião tão especial como a de hoje.
—Possivelmente deixaste em Borgoña, quando perdeu a presilha atrás daquela formosa ruiva —apontou Seth com um tom jocoso.
—Não perdi a presilha —declarou Edward resolutamente, então acrescentou com um sorriso zombador — Foi ela a que perdeu a presilha quando parti.
Emmett elevou a cabeça abruptamente naquele instante com cara de satisfação, segurando o objeto em questão.
—E aqui está sua capa, lorde Edward!
Sacudindo-a vigorosamente, depositou-a sobre os ombros de Edward. Era um objeto magnífico, verdadeiramente digno de um rei. Forrada com pele de arminho, a capa estava confeccionada com um brocado de seda branca tão fina que parecia absorver toda a luz para depois refleti-la sutilmente alterada. A túnica que Edward levava debaixo da capa era de um cinza furta-cor com fio de prata, e a prega da peça estava debruada por uma tira acetinada de uma intensa cor carmesim. Seth os contemplou enquanto Emmett  colocava o impressionante broche com um rubi no ombro direito, para fechar a capa. O rubi por si só já valia uma boa recompensa, e precisamente assim o tinha obtido Edward: a modo de recompensa. Era do tamanho do punho de um menino e estava montado sobre uma base de prata adornada por um belo filigrana. Era uma peça de artesanato extraordinariamente delicada, inclusive excessiva para o sarraceno que a tinha levado previamente.
Edward moveu os ombros várias vezes seguidas para que a capa se acomodasse perfeitamente a seu talhe. Emmett admirava com fascinação, como sempre, a elegância natural de Edward. Era certo que Edward prestava uma excessiva atenção a seu vestuário, mas também era certo que qualquer objeto lhe caía bem.
Seth, em troca, já fazia tempo que tinha deixado de admirar Edward.
Edward ordenou a Emmett que abandonasse o quarto e a seguir se aproximou de Seth para esquentar-se junto ao fogo. Elevando a parte traseira da capa com elegância, sentou-se no tamborete estofado e deixou a banqueta para seu amigo. Seth não vacilou em lhe contar tudo o que tinha indagado.
—Interroguei-os a respeito de sua chamativa sujeira, mas quando veem um desconhecido se encolhem de medo. —Seth se inclinou para diante, apoiando os cotovelos nos joelhos — São umas pessoas muito estranhas, Edward; todos estão atemorizados por algo, tanto os homens como as mulheres.
Edward se inclinou para diante e seus olhos cinzas interrogaram os escuros olhos castanhos de seu amigo.
—Conseguiste saber o que é o que lhes provoca tanto temor, Seth? É mais que evidente que estes últimos anos foram muito duros para Swan, mas o que é o que pode esmagar a moral desta gente até tal ponto?
—Meses sem comida, sem paz, podem afundar inclusive a moral do mais forte, Edward —respondeu Seth lentamente, recordando o que ambos tinham presenciado durante suas aventuras como cruzados pela Terra Santa. Edward não necessitava que ninguém o recordasse, jamais necessitaria que ninguém o recordasse, as imagens tinham ficado gravadas na sua retina para o resto de seus dias.
—Sim, é certo —conveio respeitosamente — mas suspeito que esta gente sofreu algo mais que um simples montão de cabanas arrasadas e más colheitas.
Seth olhou Edward sem piscar. Os instintos de Edward quase nunca falhavam, e Seth tinha aprendido a não questionar sua precisão.
—A que se refere? —interessou-se.
—Não sei —murmurou Edward, cravando a vista no fogo— mas não ficarei tranquilo até que Isabella se converta em minha esposa — Elevando a vista subitamente, Edward perfurou Seth com seu intenso olhar — Não te parece estranho que toda a gente de Swan esteja tão atemorizada e que em troca sua senhora se mostre tranquila e sem nenhum sinal de angústia?
—Lady Isabella é uma mulher com um prodigioso autocontrole —respondeu Seth simplesmente.
—Suponho que sim —murmurou Edward, desviando novamente a vista para o fogo, plenamente consciente de que aquele traço de sua futura esposa lhe fazia agora menos graça que umas horas antes. Parecia uma mulher fria, com um coração de gelo, uma característica nada desejável da mulher com a que muito em breve se deitaria — Ela é de Swan, e entretanto não se comporta como o resto da gente de Swan.
—É uma dama —matizou Seth.
—Sim, mas ser uma dama não implica ser tão diferente.
—É-o no caso de lady Isabella.
—Isso parece —respondeu Edward brandamente — Entretanto... não estou seguro...
—Teme que te traia? Que não suporte a ideia de te ceder as rédeas de Swan?
—Que estranho que utilize a palavra «traição». Não tinha considerado a questão em tais termos, entretanto, a palavra encaixa com a forma em que começo a ver Isabella. Mas... que se negue a ceder o castelo de Swan? —repetiu Edward, com os olhos cintiSamtes — Não, não a temo por isso. Swan me pertence —concluiu com um tom cortante.
Seth se recostou no respaldo com os contornos estragados da banqueta de madeira.
—Está em suas mãos acabar com essa inquietação de uma vez por todas, a dama te espera no salão, tal e como te prometeu. Só tem que ir ao seu encontro, estreitá-la entre seus braços e tomá-la por esposa.
—Sim, tem razão —conveio Edward, e a seguir ficou de pé. Sua capa revoou graciosamente ao redor de suas pantorrilhas — Só tenho que tomar a Isabella para afiançar Swan; são duas faces da mesma moeda, não é certo? Já chegou o momento de acabar com esta incerteza que tanto me incomoda.
Edward deu a volta e andou para a porta a grandes pernadas com uma firme determinação, Seth decidiu segui-lo a um ritmo mais pausado. Pai Carlisle e George, o clérigo que Edward tinha contratado em Londres, esperavam-no junto a uma mesa coberta com uma bela toalha de cor vermelha. Tudo estava em um silêncio incomum, tinham afugentado aos cães, os criados se retiraram, e inclusive a chuva tinha cessado seu cadencioso martelar. Tal e como esperava, Isabella se achava conversando animadamente com Carlisle. Sem deixar de franzir o cenho, Edward cobriu o espaço que o separava deles com amplas pernadas.
—Está seguro de que não precisa descansar um momento antes de oficiar a missa?
Carlisle estudou o rosto de Isabella e aspirou ar antes de responder. «Pequena intensidade, e além disso, pequena intensidade reprimida, em um corpo tão esbelto», pensou. Só fazia umas horas que tinham chegado a Swan, e entretanto ela não parecia desfalecer na hora de insistir no tema do funeral. Carlisle teria pensado que o normal em uma jovem às portas de suas bodas seria que o acossasse com mil perguntas sobre o homem com o que ia se casar, em troca, não tinha mencionado Edward nenhuma só vez.
Carlisle afogou um sorriso. Conhecia Edward bastante bem para saber que a falta de curiosidade que ela professava para ele unicamente conseguiria lhe pisar o orgulho. Edward tinha gozado de fama de leão entre as mulheres durante muitos anos e agora esperava que Isabella reagisse igual, Isabella de Swan lhe estava dando um insuportável golpe, embora Carlisle duvidava de que ela se desse conta. E ali radicava o problema: ela tratava Edward como alguém que não era mais que uma inconveniência necessária, um sujeito com o que devia casar-se por obrigação para logo relegá-lo de novo à escuridão tão rápido como fosse possível. Realmente era uma forma de se comportar estranha por parte de uma moça que acabava de conhecer seu prometido, mas Carlisle não era um tipo que gostava de misturar-se nos problemas alheios. Pensava esperar pacientemente até ganhar a confiança de lady Isabella. Tão melhor que ela desfrutasse de plena liberdade para escolher o momento adequado, já que sabia por experiência que da passividade mais benigna emergiam as confissões mais profundas. Esperaria, apesar de notar o enorme lastro que ela suportava em sua alma. Carlisle não comentou nada a respeito, mas perguntou a Isabella uma questão pessoal:
—Sinto-me em plena forma, lady Isabella. Oficiarei a missa logo que possa, mas se me permitir, tenho uma curiosidade. —Fez uma pausa para escrutinar seu rosto novamente, e então lhe perguntou casualmente — O que passou com o padre de Swan?
—Decidiu acompanhar meu pai na peregrinação —repôs ela.
—Mas isso foi faz vários anos, não? Quer dizer que não retornou?
—Sim retornou, com as novas da morte de meu pai, mas faz uns meses sentiu a necessidade pessoal de peregrinar a Canterbury, e ainda não retornou.
Carlisle podia notar pelo gesto de Isabella que ela não esperava que o padre retornasse. A situação era verdadeiramente incomum; nenhuma morada podia funcionar muito tempo sem um padre. A atitude de Isabella, que até esse momento se mostrou tão expedita no tema do funeral, era agora abrupta e sutilmente evasiva. Que estranho!
—Tenho outra pergunta mais, se não se importar. A quem quer dedicar a missa? —perguntou-lhe o padre, tentando obter uma resposta mais concisa.
Isabella baixou a vista para suas mãos entrelaçadas e permaneceu calada um instante. A seguir, respondeu com um murmúrio, com tanta suavidade que Carlisle mal conseguiu entender suas palavras:
—A alguém a quem eu queria muitíssimo.
Apesar de que Carlisle teve problemas para compreender sua mensagem penalizada, Edward ouviu com suficiente claridade. As palavras que ela tinha eleito não o agradou absolutamente. Isabella era órfã; quem podia ocupar um lugar em seu coração inocente? Só existia uma resposta aceitável: ninguém.
Ao dar-se conta de sua presença, Isabella se separou um pouco do pai Carlisle e olhou Edward. Sua insistência no funeral teria que esperar até que tivessem celebrado a cerimônia nupcial e tivessem assinado os contratos, por isso ela tinha tanta vontade de acabar de uma vez por todas com aquela formalidade do contrato matrimonial. Edward, o Brouillard era o lorde de Swan, assim tinha decretado Aro. Edward possuía Swan, e isso era um fato irrefutável. A cerimônia do matrimônio seria meramente o selo em um documento que já estava aceito.
Isabella o olhou sem mostrar alívio nem urgência, a não ser com o sereno controle e falta de emoção com a que ele associava a sua futura esposa. Podia alguém ser carinhoso com uma mulher tão fria? Ela não mostrava nenhum interesse por ele, nem vontade de falar com ele, unicamente aceitava sua presença; ao cabo de uns segundos, Isabella deu a volta e andou para o mordomo para lhe pedir que servisse vinho. Seus movimentos eram flexíveis e graciosos até o ponto de lhe recordar um campo de erva na primavera e, apesar de sua compostura tão fria, Edward se sentiu atraído pela forma em que se movia. Suas tranças entrelaçadas com fio de seda se baSamçavam graciosamente cada vez que se movia, e as mechas de cor dourada pálido capturavam a luz das velas e do fogo.
Carlisle tinha razão: era uma beleza. Era tal e como os trovadores descreviam a suas nobres amadas: esbeltas e pequenas e com o cabelo claro, e apesar de seus olhos possuírem um tom verde escuro em vez do esperado tom azul, Edward pensou que sua beleza ainda ressaltava mais graça aqueles olhos.
E ela nem sequer se fixou nele com curiosidade, como faria uma donzela que olhasse ao homem que desejava. Edward cravou os dedos crispados em sua imponente capa para conter a raiva. Não podia recordar a última vez que uma mulher não lhe tinha prestado atenção, certamente porque nunca antes lhe tinha acontecido. Em todos aqueles anos de experiência, inclusive durante os anos moços, sempre o tinha acompanhado o reconfortante som dos suspiros por parte das mulheres que estavam perto dele, assim como os gemidos de pena quando se afastava delas. Passando a mão pelo queixo, ajustou a capa com uma rápida sacudida com a mão e ergueu as costas. Com uma curta reverência, aceitou a taça de vinho que Isabella lhe entregou.
Seth observou como Edward reprimia sua exasperação e, adivinhando a causa, sorriu enquanto Edward aceitava a taça das mãos de Isabella. De repente se sentiu invadido por uma prazerosa sensação ao pensar que já não havia nenhuma guerra que pudesse distrai-lo, a vida em Swan, contempSamdo como esse par de pombinhos se sentiam incômodos resultava um passatempo do mais entretido.
—Comecemos de uma vez, pai. —Edward ordenou com uma voz educada — Quanto antes acabemos antes poderemos desfrutar do magnífico ágape que Swan nos preparou. —Educadamente assentiu para Isabella, perguntando-se se ela tinha intenção de atrasar a cerimônia.
Mas Isabella não disse nada.
—A este matrimônio eu contribuo —começou a dizer ela com sutileza — o castelo de Swan, as terras vizinhas e que se estendem vinte léguas ao norte, dez léguas ao este e ao oeste, e que limitam pelo sul com o rio Black, também a torre Blythe, que se acha a oito léguas de distância dos limites das terras de Swan, pelo oeste. —Olhando primeiro pai Carlisle e logo Edward, acrescentou sem desculpar-se — Faz muito tempo que não visito a torre Blythe, por conseguinte não sei em que estado a acharão.
Edward assentiu e disse:
—Quando a vir, determinarei sua condição e farei o que seja necessário.
—Além disso —voltou a falar Isabella — a aldeia de Swan, como já sabem, não existe. Nos últimos anos foi saqueada reiteradamente e faz dois anos desapareceu por completo. Os sobreviventes vivem agora dentro da paliçada.
—Embora não sejam muitos os habitantes, as reservas de comida em Swan são perigosamente escassas —interveio Seth em um tom cometido.
Isabella permaneceu tão erguida e tranquila como uma plântula ante o vento insistente enquanto encarava aos homens situados ao outro lado da mesa com a toalha vermelha sangue que os separava. Achava-se sozinha, entretanto não perdeu a compostura. Suas  palavras seguintes ressonaram na estadia por causa de sua brevidade.
—Foi um ano muito duro para Swan. —Faremo-nos cargo. Sabemos que perdeste a todos seus cavalheiros nos últimos meses —disse Edward.
Apesar da evidência, ele não compreendia como o castelo de Swan tinha podido sobreviver durante tantas semanas em umas terras assediadas por mercenários que não estavam às ordens de ninguém em concreto. Especialmente se tinha em conta a observação de Seth, aonde tinha ido parar toda a comida, se mal havia gente a que alimentar?
Isabella não contribuiu nenhuma resposta à observação de Edward, mas sim permaneceu em silêncio e imóvel. Foi pai Carlisle quem dirigiu a conversação de novo para o contrato de matrimônio.
—Seu patrimônio inclui alguma coisa mais, lady Isabella?
Sem perder a compostura, Isabella respondeu olhando diretamente Edward, sem afastar os olhos dele:
—Não há moedas, nem joias, nem prata. O que meu pai não levou com ele na peregrinação, os anos de guerra o foram consumindo.
Ela contribuía muito pouca riqueza líquida a aquela união matrimonial, mas oferecia o que Edward mais desejava: um lar e terras. Olhando-a fixamente, com as costas reta e os olhos alertas, Edward só pode sentir orgulho ante a honra e a dignidade que ela tinha mostrado ao falar com toda franqueza da pobreza que envolvia Swan.
Continuando, pai Carlisle desviou o olhar para Edward, não sem antes comprovar que George tinha cotado a contribuição de Isabella.
—E agora é o turno de Edward, o Brouillard de referir o que ele contribui a esta união.
Isabella retrocedeu um passo, mas seguiu olhando Edward com atenção. Ao notar a tensão de sua futura esposa, Edward pensou que podia adivinhar seus temores. Por lei, suas fortunas tinham que ser de um valor equivalente. Se sua parte não igualava a de sua prometida, o matrimônio seria considerado nulo. Com uma boa dose de orgulho e aspirando fundo, lhe manteve o olhar e começou a enumerar:
—Por minha parte ofereço um serviço de mesa de prata maciça, uma baixela composta por doze pratos de ouro, quinhentas peças de ouro, um arca cheia de especiarias, uma arca cheia de tecidos preciosos trazidos diretamente do Oriente, doze cavalos de batalha, uma pequena bolsa com pedras preciosas incrustadas em joias de ouro e prata, e umas alforjas cheias de sementes.
Os olhos de Isabella se iluminaram com um escuro fogo ao escutar a palavra «sementes», e não pode evitar olhar a seu futuro esposo com regozijo. Assim, parecia evidente que não lhe importava tanto o ouro como as sementes. Pelo menos, ambos concordavam naquele ponto, e Edward se alegrou ante tal constatação.
—Adquiri as sementes nas diversas terras que percorri com o fim de que algum dia possa enriquecer minha própria terra com elas —assentiu ele com firmeza — Pelo visto, compartilhamos nosso interesse pela agricultura.
Isabella tentou não fazer caso da calidez de seu tom e do desmedido brilho de seus olhos ao olhá-la, como se ela fosse uma delicada peça de ourivesaria.
—Contribui com copiosos presentes custosos e objetos preciosos a nosso matrimônio, milord, mas a viabilidade de poder comer quando a gente passa fome é o mais importante. —Sorrindo educadamente, adicionou — Estou segura de que saberei apreciar a baixela de ouro quando meu estômago esteja satisfeito de ganso assado.
Por experiência própria, Edward sabia o que significava passar fome, sim, a fome não era um bom companheiro de viagem, por isso compreendia plenamente os sentimentos que lhe expressava sua futura esposa. Durante suas aventuras como cruzado, Edward também tinha passado fome até chegar ao ponto do desespero. Por isso sorriu abertamente, para lhe mostrar seu total acordo.
E Isabella se esqueceu das sementes.
Nunca antes tinha visto um homem com uma beleza tão devastadora. Seu sorriso iluminava o mundo de uma forma que nem o sol conseguia, e Isabella se perguntou como era possível que não tivesse ficado totalmente cega ante a intensidade daquele sorriso.
O mundo se encolheu até ficar unicamente ele. Todos os sons cessaram. Todos os pensamentos voaram. Ele a estava seduzindo e ela permaneceu imóvel, incapaz de respirar. Isabella se sentiu invadida por uma paralisia como nunca antes tinha experimentado. Não se tratava de um controle das emoções imposto por si mesma mas sim de uma paralisia entristecedora que emergia do centro de seu ser e se expandia irremediavelmente por todo seu corpo, até o ponto de congelar o ar que a rodeava.
Edward, o Brouillard tinha conseguido tocar sua fibra mais sensível, ele a tinha abordado com sigilo e tinha liberado todas as emoções que ela guardava com tanto zelo. E o tinha conseguido com tão somente um sorriso!
Entretanto, o único Edward viu foi a pasmosa imobilidade de Isabella, que ele confundiu com uma atitude de serenidade e absoluto controle de si mesma. Desafiando a razão, Edward se sentiu decepcionado com a resposta por parte dela, e a seguir repreendeu a si mesmo por sua própria estupidez. Isabella era mais fria que uma pedra. Entretanto, não devia esquecer que formavam um bom casal, depois de tudo, o objetivo de Edward era obter e velar por aquelas terras, e pelo visto compartilhavam esse amor pela terra.
Swan já era quase de sua propriedade.
Continuando, pai Carlisle iniciou a cerimônia que os uniria ante os olhos de Deus.
—Quão único fica é que eu peça solenemente sua mútua conformidade ao matrimônio. É o momento de que reflitam... e pensem em Deus, que benze todos os matrimônios...
Isabella só ouviu alguns fragmentos da cerimônia. Lutava contra a subjugação de sua pessoa ante Edward, e ainda por cima sem opor resistência alguma. A voz profunda de Edward retumbou em seus ouvidos enquanto ela ouvia:
—Sim, eu Edward, tomo por esposa.
Entrelaçando as mãos sobre seu colo, a imagem perfeita da submissão feminina, Isabella respondeu com suavidade:
—Sim, eu Isabella, tomo por marido.
Isabella acabava de se entregar.
Pai Carlisle tirou então um anel de ouro debruado de rubis e com um topázio encravado que captava e refletia a luz cintiSamte das velas.
—Que o Criador e Senhor de todos os homens, portador da vida eterna, conceda sua bênção a esta aliança.
Edward tomou o anel da mão do padre e o colocou sucessivamente em três dos dedos da mão direita de Isabella, separando com gentileza suas mãos entrelaçadas, e em cada ocasião pronunciou:
—No nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo.
A seguir tomou sua fina mão esquerda com solenidade entre as suas calejadas, olhou-a aos olhos e se preparou para dizer as últimas palavras do contrato:
—Com este anel eu te desposo.
Naquele momento, ela notou uma estranha opressão no peito.
Com um tom rouco, Edward continuou:
—Com meu corpo te honro. —A imobilidade de Isabella se fez pedacinhos como uns pedaços de gelo estreSamdo-se contra o chão. —E te faço participante de todos meus bens. Incapaz de afastar a vista dele, Isabella tentava recuperar a paz em seu rígido controle.
Então, guiados por pai Carlisle e seguidos por Seth, cruzaram o salão em silêncio e foram para a capela que se achava no piso superior. De todas as estadias do castelo, a capela era a que única dispunha do verdadeiro luxo de ter o teto envidraçado. Isabella avançou até o centro da nave e sentiu o suave tato de Edward em sua mão a seguir ambos se prostraram no chão, e pai Gregory estendeu as mãos sobre eles.
O rugoso chão de madeira estava frio, em contato com a bochecha de Isabella, e ela agradeceu a sensação. Queria fugir de tudo o que a asfixiava: a pobreza de Swan, a fome, o fato de que sua casa tivesse sido cedida a um desconhecido e de que aquele desconhecido fosse agora seu marido. Mas não podia. As emoções reprimidas durante tanto tempo se empilhavam agora em seu estômago e em seu peito de tal modo que, naquela postura prostrada, Isabella teve medo de desfalecer. Aquele homem ia ser seu senhor, sua vida estava agora nas mãos daquele desconhecido pela autoridade tão divina como do rei. OH! Quanto o detestava! Ele poderia açoitá-la, encerrá-la, matá-la de fome, mas ela seguiria detestando-o, disso não lhe cabia a menor duvida. As seguintes palavras do padre a pegaram despreparada.
—Que Deus os benza, e que seja o Senhor quem os ensine a honrar e a respeitar mutuamente em corpo e alma.
Era certo que Deus a tinha bento lhe dando Edward, o Brouillard por marido? Isso era o que precisamente ela tinha tentado transmitir a Rosalie e ao John e ao resto dos serventes, mas no fundo de seu coração, acreditava? Podia Deus instrui-la para que adorasse e respeitasse a seu marido —posto que agora já era seu marido— em corpo e alma? Como poderia usar seu corpo, o fruto de sua dor, para adorar a seu marido? Lhe parecia uma ideia impossível e, entretanto, o padre o havia dito. Os tremores que tinham começado com as palavras de Edward voltaram a invadir suas vísceras até o ponto de que mal podia respirar. Isabella ficou de pé com a ajuda de Edward, entrelaçou as mãos com dedos crispados sobre seu colo e procurou acalmar-se. Ela era Isabella de Swan, e não pensava desmaiar naquele momento.
De pé, à direita de Edward, quase pega a sua mão de modo que podia notar o calor que emanava de suas veias, Isabella ouviu a missa pela primeira vez como mulher casada.
E então a cerimônia fializou, ou pelo menos isso foi o que ela pensou. Edward avançou até o altar; seu cabelo negro brilhava friamente sob a tênue luz que se filtrava pela janela em cima de suas cabeças. Ele era muito alto. Como era possível que não se fixou antes naquele detalhe? Ia belamente embelezado, com uma capa que caía de seus amplos ombros com uma incrível elegância. Isabella tocou o tecido áspero de seu vestido de lã, não era o traje mais indicado para umas bodas, mas era o melhor que tinha.
Edward se inclinou para diante e recebeu o beijo da paz de pai Carlisle, que tampouco era de baixa estatura. Apesar de ser alto e robusto, Edward não era um indivíduo de constituição grossa, seus ombros destacavam por sua amplitude e tinha a cintura estreita, com os braços fornidos e as pernas longas... por que não tinha visto o físico completo daquele homem antes? «Porque seus frios olhos cinzas me encantaram», respondeu a si mesma, seus olhos frios e seu sorriso enganador e seu cabelo negro ... Não podia ser! Já a estava seduzindo de novo! Não, agora não. Não naquele instante em que ele avançava para ela e a olhava com olhos solenes e alegres de uma só vez. E então Isabella se lembrou: Ele ia transmitir-lhe o beijo da paz!
Edward se colocou frente a ela com toda sua amplitude mas sem nenhuma mostra ameaçadora, já que depois de tudo sua única intenção era lhe dar o beijo da paz, entretanto, a sombra da cruz caiu sobre eles e Isabella estremeceu. Sorrindo com diplomacia, como se pretendesse amansar um cão de caça assustado, Edward colocou suas mãos sobre os ombros de Isabella. Seus movimentos eram lentos, deliberados e gentis, mas apesar disso, Isabella deu um pulo ao primeiro contato. «Edward pensará que sou uma dissimulada», repreendeu-se em silêncio. Respirando devagar, elevou o rosto para aceitar o beijo.
Era um beijo casto, e não significava nada mais que isso.
Era um beijo casto, entretanto se estava prolongando muito e era muito suave e muito... íntimo. O fôlego de Edward era quente e doce, seus lábios firmes e suaves, seu queixo duro... A Isabella punha nervosa que ele a tocasse. Não gostava da sensação de estar fisicamente tão perto dele. Não gostava que o fôlego dele se mesclasse com o seu. Não queria sentir aquele corpo pego ao dela. Não queria que ele a tocasse porque não desejava cheirar sua essência masculina. Não queria que ele a seduzisse. Por isso se afastou bruscamente, com o fim de acabar com aquele mau momento.
E então sim que teve a certeza de que a cerimônia tinha acabado.
Pai Carlisle sorriu com afabilidade. Seth deu umas palmadas nas costas de Edward e sorriu visivelmente agradado. Ela observou como todos se aproximavam para  parabenizar seu marido, e por um momento se sentiu desconjurada em suas próprias bodas, e então todos se voltaram para ela, esperando sua reação.
—O jantar está servido, cavalheiros —anunciou com integridade, e sem outra palavra andou para as escadas com toda a rapidez que lhe concederam suas pernas.
Seth observou Edward com interesse, que a sua vez observava como sua esposa se afastava apressadamente.
—Pequena esposa mais competente que tem, Edward! Não se deixa levar pelas emoções, nem em um dia tão famoso.
Afastando os olhos do ponto exato onde tinha visto Isabella pela última vez, Edward fulminou Seth com um olhar severo.
—Exatamente. E que homem não desejaria uma mulher assim por esposa? —replicou, procurando manter a moderação.
—Nisso tem razão —conveio Seth com um gesto afável.
Como se pretendesse imitar a atitude de sua esposa, Edward andou para as escadas e desceu em silêncio seguido por Seth e Carlisle a escassos passos atrás dele. O banquete estava servido. Emmett havia trazido a baixela de ouro, seguindo as ordens de Edward, para dar o toque de opulência ao banquete que a comida por si só não podia contribuir. O salão parecia brilhar com os brilhos do metal, a mesa reluzia com os jogos de prata, estanho e ouro, e os cavalheiros que deviam lealdade a Edward contribuíram seu grão de areia ao esplendor com suas cotas de malha e suas espadas brilhantes.
Isabella não se mostrou inquieta ao ver os homens armados em seu banquete de bodas, e isso unicamente serviu para avivar as suspeitas de Edward. Se ela era inocente de traição, deveria ter se sentido insultada. Se era culpada, deveria ter se mostrado intranquila pelo fato de ter sido desmascarada.
«Malditas sejam as mulheres!», grunhiu Edward para si. Quem podia confiar no coração de uma fêmea? Isabella era uma verdadeira professora no que se referia a ocultar suas emoções, ou possivelmente o que na verdade ocorria era que carecia de emoções. Não, estava sendo muito severo na hora de julgá-la. Ela parecia nervosa e disposta a conseguir que o banquete fosse um êxito tal e como tinha pSamejado, isso era mais que óbvio, e também era muito próprio do gênero feminino. Isabella permanecia de pé em um rincão, junto ao mordomo, assinaSamdo e dando ordens à fila de serventes enquanto entravam carregados com as bandejas de comida quente. E subitamente, começou a dar ordens a ele.
—Sente-se, milord. Teve uma longa viagem sob a chuva, sente-se e coma.
Era uma ordem educada, mas entretanto ele não podia aceitar sua proposta. Isabella era a senhora e ele o senhor. Não pensava sentar-se à mesa sem ela. E, apesar de  morrer de vontade de ocupar o assento correspondente ao lorde de Swan, não pensava fazê-lo. Ela teria que guiá-lo até seu lugar e ceder-lhe com seu pleno consentimento. Edward não só queria que os habitantes de Swan vissem como lhe cedia seu posto, mas também queria que entregasse Swan em pessoa.
Mas Isabella já se deu a volta, esperando que Edward atuasse tal e como tinha pedido. Era evidente que aquela fêmea tinha passado muito tempo sem um senhor.
Transcorreram vários minutos antes que ela desse a volta e descobrisse que nem Edward, nem Seth, nem Carlisle se moveram nem um ápice. Ao dar-se conta, sua expressão de surpresa foi tal que Edward esteve seguro de que jamais a esqueceria. Em todas as horas que fazia que se conheciam, aquela tinha sido a primeira amostra de emoção em seu rosto.
—Tem alguma queixa, milord? Há algo que não seja de seu agrado? —perguntou rapidamente, com um mais que evidente desconforto.
—Sim —respondeu ele com um tom cometido — Espero a você, milady.
—OH, não é necessário —asseverou ela — Minha intenção era fiscalizar...
—Senhora —a cortou ele, com uma voz profunda e imperativa — A espero.
Para Isabella, o único brilho, o único brilho em toda a estadia se originou nos olhos chapeados de Edward. O ar se rarefez entre eles. Isabella podia notar a força de sua autoridade sobre ela, inclusive naquela estadia tão concorrida que de repente tinha ficado sumida em um incômodo silêncio. E soube que teria que acatar suas ordens. Não, ele não  tinha pedido, mas sim ordenado. Mas Edward era seu marido e seu senhor, e ela devia submeter-se a seu mando.
Com graciosos movimentos, Isabella se aproximou dele. Seus passos ressonaram na estadia silenciosa. John decidiu sair em sua ajuda e lhe perguntou onde estava o sal. O volume do ruído se incrementou até alcançar o nível normal, e os serventes retomaram novamente suas obrigações e começaram a entrar e a sair do salão, a baixar as escadas e sair ao exterior para atravessar o pátio até a cozinha e logo retornar ao salão.
Edward ofereceu a mão e Isabella, com um leve calafrio apenas perceptível, colocou sua mão sobre a dele. A mão de Edward tinha um tato quente e seco, enquanto a sua mão estava fria e úmida. Entretanto, não podiam perder mais tempo, a mesa estava servida, e Edward não duvidou em guiá-la até seu lugar. Grande espetáculo tinha montado ele com aquela estupidez de que o acompanhasse até a mesa principal! Isabella não teria imaginado que um cavalheiro acostumado a lutar se preocupasse com um detalhe tão mínimo, mas o certo era que Edward não se parecia com nenhum dos cavalheiros que tinha conhecido até esse momento. Ele seguia o protocolo de etiqueta e cavalaria ao pé da letra. Parecia-lhe um indivíduo realmente estranho segundo sua experiência, que para falar a verdade, era muito limitada.
Edward parecia encantado, ou melhor dizendo, parecia totalmente eufórico de que Isabella não tivesse rechaçado seu oferecimento de sentar-se junto a ele na mesa principal. Embora o que realmente lhe tinha agradado por igual era que ela não tivesse duvidado em colocar-se a seu lado e que agora estivesse sentada placidamente a sua esquerda. Para ele, ambos representavam uma frente unida ante a gente de Swan, os dois juntos, e a solidariedade era seu objetivo tão na aparência como em feitos. Acabavam de pronunciar os votos do matrimônio com testemunhas, por isso Swan já estava a salvo. Só ficava uma coisa por fazer: consumar o matrimônio.
Ante tal pensamento, Edward notou um intenso calor na parte inferior do ventre.
Não o esperava, mas Isabella estava resultando uma caixa de surpresas. Tinha uma beleza cálida e uma forma de comportar-se muito comedida; seu corpo era delicado e sua vontade de ferro, Edward havia se sentido atraído por ela inclusive quando havia se sentido rechaçado por ela. Desejava-a e não queria desejá-la, porque tinha a impressão de que ela não o desejava.
Era uma experiência absolutamente nova para ele.
Edward voltou-se para contemplar o distinto perfil de sua esposa, e o intenso calor em seu ventre ficou visivelmente refletido no respSamdecente brilho de seus olhos. E Isabella, ao notar seu olhar, deu a volta e ficou apanhada no frio calor daqueles olhos chapeados. Tinha reconhecido e compreendido perfeitamente a intensidade daquele olhar. Sem necessidade de realizar nenhum esforço, Isabella se encerrou inclusive mais em sua compostura serena, dobrou as capas mais externas e visíveis de seus pensamentos para dentro como uma tartaruga que procurasse refúgio em sua carapaça.
Não fazia nem uma hora que estava casado e somente fazia um dia que a conhecia, mas Edward teve a certeza de que ela se afastou inclusive mais dele, apesar de não poder entender a razão. Isabella estava agora casada e protegida, sua vida estava nas mãos de Edward, e ele sabia que era um homem bonito. Por que ela não se mostrava encantada com os transcendentais sucessos daquele dia em Swan?
Elevando a taça, levou-a cuidadosamente não para seus lábios, a não ser para os de Isabella. O fato de que ela fosse agora sua esposa —embora só o fosse desde uns minutos— lhe outorgava o direito de atuar daquele modo. Além disso, sabia que com aquele gesto cavalheiresco lhe daria de presente um sorriso. A vaidade de Edward o exigia. Não desejava que ela aguasse a festa com um comportamento dissimulado como tinha demonstrado durante a cerimônia. Isabella reagiu como se estivesse aturdida. Não pode evitar olhá-lo com inquietação, como se tentasse decifrar se Edward era um lunático ou um idiota. Mas ele não era nem uma coisa nem outra, pelo menos não o era antes de conhecê-la.
Sorrindo e mostrando uma atitude aduladora, Edward murmurou algo ao ouvido de sua esposa:
—Deixe que eu seja quem te dê de comer, Isabella. Já sei que não é o costume na Inglaterra, mas é o costume francês.
Quando ela unicamente se limitou a olhá-lo fixamente nos olhos como um cervo encurralado, Edward acrescentou:
—Será uma verdadeira honra para mim, minha senhora.
Edward afogou um suspiro de alívio quando viu que permitia que lhe desse de beber da taça que ambos compartilhavam no banquete. Apesar dele fazer as honras, ela não mostrou calidez alguma. Afastando a taça dos lábios de Isabella, Edward lhe manteve o olhar enquanto bebia pelo lado da taça que ela tinha esquentado com seus lábios. Isabella empalideceu e baixou a vista até cravá-la em suas mãos que mantinha rigidamente entrelaçadas sobre seu colo. O magnífico anel que lhe tinha presenteado brilhava esplendorosamente em contraste com a brancura de seu vestido. Era a única coisa nela que brilhava com desfaçatez. Sem lugar a dúvidas, a atitude de sua esposa o deixava perplexo.
—Vamos homem, não é mais que uma donzela inocente —sussurrou Seth a Edward ao ouvido — Deve estar nervosa, pensando no que ocorrerá quando tiver que subir contigo a seu aposento.
Era certo. Edward era um imbecil ao não pensar em que provavelmente ela se sentia incômoda com a perspectiva da noite de bodas. Subitamente quase sentiu pena por ela. O dia se via de uma perspectiva diferente se o observador era uma pobre donzela inocente. Tinham-na obrigado a casar-se com um perfeito desconhecido, apesar de não ser uma tradição incomum, mas seu marido não tinha sido eleito por um pai que a queria e que velava por ela. Seu prometido tinha sido escolhido a dedo por um soberano novo no trono com afã de consolidar as terras do reino. Essa situação bastaria para incomodar a qualquer donzela até um ponto inusitado.
—Olhe, Isabella — disse com uma esmerada delicadeza. A pena que sentia por ela tinha atenuado seu desejo carnal — cortei a porção mais saborosa para você. —E a sustentou em sua mão antes de levá-la até a boca dela. Isabella manteve a boca firmemente fechada enquanto o suco vermelho da carne escorregava pelo dorso da mão de Edward — É um manjar digno de um festim nupcial, minha senhora, eu adoraria que a provasse.
Com uma visível indecisão, e com uma evidente apreensão, Isabella abriu a boca, e enquanto a carne roçava seus lábios, tirou a língua para prová-la, e Edward soube que nunca antes tinha dado de comer a uma dama tão genuinamente sensual. Entretanto, não tinha sido a intenção que ele procurava. Ao menos até esse momento.
—Muito bem, Isabella — sussurrou lhe infundindo ânimo — Não me diga que não é tenra e deliciosa. —O suco escorregava livremente por sua mão — Deseja mais?
—Não —respondeu ela nitidamente quando engoliu a parte de carne com um tremendo esforço.
—Não? —Edward sorriu lentamente — Têm pouco apetite, senhora. Preferiria ter uma esposa com uma fome voraz para poder satisfazer seu apetite até que ambos ficássemos saciados.
Isabella respirava agora rapidamente pela boca. Estava segura de que se ele não deixasse de olhá-la com esses olhos sedentos, esses olhos que a devoravam, vomitaria irremediavelmente sobre a delicada toalha da mesa. Toda essa conversa sobre carne e fome voraz... tinha conseguido lhe revolver o estômago. Não estaria nada mal que vomitasse em cima do colo de Edward. Então sim que seria um festim próprio de umas bodas.
John a salvou da única forma que lhe ocorreu: improvisando uma distração realmente necessária. Aproximando-se de Edward, serviu-lhe mais vinho, elevando o braço justo à altura de seu rosto. A expressão de asco que se desenhou na expressão de seu marido ajudou Isabella a recuperar novamente a compostura, de fato, teve que conter-se para não rir. John tomou seu tempo para servir o vinho, movendo o braço e sacudindo a manga com tanto vigor como podia. Isabella estava preparada para o comentário de Edward quando John se separou da mesa.
—Já estamos outra vez a sós —começou a dizer ele, olhando-a com olhos quase acusadores — O fedor pela falta de higiene se mesclou com o aroma da comida. Não está de acordo?
Com que cavalheiro tão delicado se casou, que considerava de mau gosto o saudável fedor a suor! Mas ela não expressou seus pensamentos, nem tampouco revelou o que pensava com a expressão de seu rosto. Olhando serenamente a seu marido, respondeu:
—Estão todos exaustos pelo enorme esforço e os nervos que passaram preparando o banquete. Particularmente com o atraso —remarcou tranquilamente.
Edward não quis seguir com aquela conversação. Em vez disso se dedicou a estudar seu rosto. Era realmente bela, mas carecia de calidez e seus olhos careciam de brilho. Bom, isso mudaria, e rapidamente. Isabella estava aterrorizada com a noite de bodas, seguro que quando tivessem consumado o matrimônio, ela mudaria e se abriria como qualquer outra mulher. O medo a dominava, disso não lhe cabia a menor duvida.
Infelizmente, não lhe faltava razão.

Um comentário:

  1. ADOOOOREIA E ESTO ADORANDO FIC BROUILLARD E OTIMA!ESTOU ANCIOSA PARA LER O O CAPITULO" 5 "!
    ASSIM COMO ESTO ANSIOSA PARA LER A SEGUNDA TEMPORADA DA HERDEIRA DE FORKS HILL!BEJOSS ADOROOOOO SUAS FIC SAO DE +....

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