quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A herdeira de Forks Hill - capitulo 18

“O que quer dizer com o curandeiro não está aqui?” Edward perguntou, incrédulo.
Eleazar não tinha vontade de dizer ao seu Senhor que o curandeiro não poderia ser buscado. O pavor estava lá para ser lido em seu rosto.
“Encontre o nosso curandeiro e traga-o aqui,” Edward disse entre dentes cerrados.
“Eu não posso, Senhor,” Eleazar disse com um suspiro pesado. “Os MacLaurens perderam seu curandeiro e Leah foi para ajudar a trazer o bebê do Senhor. Você mesmo lhe deu permissão.”
Edward soprou seu hálito em frustração. É claro que ele tinha. Leah era parteira qualificada e MacLauren tinha enviado um apelo frenético para Edward ajudar quando sua esposa estivesse em trabalho para trazer um bebê em uma maneira oportuna. Na época, ele considerou que se qualquer um dos Cullens necessitassem dos serviços de um curandeiro, ele atenderia a necessidade.
Só que agora sua esposa precisava de costura e era a verdade de Deus que não tinha jeito pela tarefa.
“Traga-me cerveja, tão forte quanto você possa encontrar,” ele murmurou para Eleazar. “Você deve pedir a Jéssica onde estoca a mistura que damos para os ferimentos e sedação. Preciso de agulha, água e linha, e algo para ligar as suas feridas. Seja rápido sobre isso.”
Quando Eleazar correu, Edward voltou para Isabella, que estava deitada na cama, os olhos fechados. Ela estava estranhamente pálida e tinha um olhar mais delicado em suas feições.
Ele balançou a cabeça na direção de seus pensamentos. A ferida não era grave. Certamente que ela não morreria disso. Desde que ele pudesse impedi-la de ficar com febre.
Garrett e Demetri estavam perto da cama, pairando ansiosamente. Enquanto Edward esperava por Eleazar para trazer os suprimentos, ele se virou para seus homens e falou em voz baixa.
“Quero que cada pessoa seja questionada no castelo. Alguém deve ter visto alguma coisa. Eu me recuso a acreditar que isto foi um acidente. Meus homens são muito cuidadosos. Descubra quem estava praticando com arcos e flechas.”
“Você acha que alguém tentou machucar a moça?” Garrett perguntou, incrédulo.
“Isso é o que eu gostaria de descobrir,” Edward disse.
“Tenho certeza que ninguém pretendia me matar,” Isabella disse em uma voz sonolenta. “Apenas um acidente, isso é tudo. Você pode dizer a seus homens que os perdoo.”
“O que você quer que eu faça, Edward?” Japer perguntou, suas feições desenhadas em uma linha apertada.
“Permaneça comigo. Vou precisar de ajuda para segurá-la.”
Eleazar corria, os braços cheios e seus dedos se mantinham firmes em torno de um frasco de cerveja. Edward levou os itens de Eleazar e ajustou-os ao lado da cama.
Ele não queria que ninguém tocasse Isabella, mas ele também reconhecia a impossibilidade de ser capaz de fazer tudo. Se ele ia fazer a costura — e se o curandeiro não estava, ninguém mais ia fazer isso, apenas ele — então precisaria de um outro para segurá-la firme e ter certeza que ele não faria mais dano do que bem.
Ele olhou para Eleazar. “Vai ter certeza que as crianças estão bem. Certifique-se que Anthony seja atendido. Ele vai se preocupar quando ouvir o que aconteceu com Isabella. Jane tem ele e as outras mulheres mantidas sob as escadas até que eu tenha terminado.”
Eleazar curvou-se e correu da câmara, deixando Edward e Japer com Isabella.
Tomando a caneca na mão, Edward sentou na cama perto da cabeça de Isabella e arrastou um dedo em seu rosto.
“Moça, eu preciso que você abra seus olhos e beba isso.”
Suas pálpebras agitaram e seus olhos desfocados encontraram o seu. Ele a ajudou a levantar o suficiente para que pudesse colocar os lábios na boca da caneca. Assim que o líquido atingiu sua boca, ela se encolheu, com o rosto desenhado em uma expressão de intenso desagrado.
“Você está me envenenando?” Ela perguntou.
Ele deteve o riso e colocou a caneca próxima à boca novamente. “É cerveja. Você vai precisar disso para ajudar a relaxá-la. Também ajudará na dor.”
Ela mordeu os lábios e virou os olhos preocupados de volta para ele.
“Dor?”
Ele suspirou. “Sim, moça. Dor. Eu gostaria que não fosse assim, mas a costura irá lhe causar dor. Se você beber isso, não vai sentir tanto. Eu prometo.”
“Você provavelmente não vai sentir nada depois de um bom gosto dessa coisa,” Japer murmurou.
Ela franziu o nariz e suspirou fatalista quando permitiu que Edward colocasse a cerveja à boca novamente. Para seu crédito, ela bebeu engasgando o mínimo. Quando ele abaixou a caneca, sua pele tinha um tom esverdeado que o fez se preocupar se a cerveja iria voltar com a menor provocação.
“Respire fundo,” disse ele. “Pelo nariz. Deixe-o resolver.”
Ela caiu para trás sobre o travesseiro e logo soltou um arroto muito grosseiro seguido por uma série de soluços.
“Você não ouviu isso,” ela disse.
Japer arqueou uma sobrancelha e atirou a Edward um olhar de diversões. “Ouvir o que?”
“Você é um bom homem, Japer,” disse ela de forma dramática. “Você não está perto de ser tão feroz quanto você olha, mas se sorrisse de vez em quando, ficaria muito mais bonito.”
Japer fez uma careta para isso.
Edward esperou vários minutos e depois inclinou-se para olhar para baixo em Isabella.
“Como você se sente, moça?”
“Maravilhosa. Edward, porque existem dois de você? Posso assegurar-vos que um é totalmente suficiente.”
Edward sorriu. “Você está pronta.”
“Estou? Para o que eu estou pronta?”
Edward mergulhou um dos panos em uma bacia de água morna que Eleazar havia preparado. Depois de espremer para fora, ele cuidadosamente limpou o sangue agora seco de um lado de Isabella. Foi somente um arranhão, e de fato, parecia que a flecha foi para a direita entre seu braço e seu lado quando houve um vinco sangrento no interior de seu braço também.
A flecha cortou mais do seu lado, e era a carne que precisava de costura.
Ele fez sinal para Japer tomar a posição sobre outro lado de Isabella. Japer andou ao redor da cama e cuidadosamente puxou o braço a distância, para que seu lado estivesse nu para Edward.
“Você vai ter que segurá-la,” Edward disse pacientemente. “Eu não quero que ela se mova quando eu colocar a agulha na sua carne.”
Relutantemente, Japer ancorou-a mais firmemente contra seu corpo e segurou o pulso dela para que não pudesse puxar seu braço.
Isabella despertou e olhou silenciosamente até Japer. “Japer, seu Senhor não ficará contente de encontrá-lo em sua cama.”
Japer revirou os olhos. “Acho que ele vai entender isso.”
“Bem, eu não,” disse ela irritada. “Não é decente. Ninguém deve ver-me na cama, exceto o Senhor. Você sabe o que eu disse a ele?”
Edward ergueu uma sobrancelha. “Talvez seja melhor se você manter essas questões para si mesma, moça.”
Ela ignorou e divagou. “Eu lhe disse que era inábil no amor. Eu não acho que ele ficou satisfeito com essa afirmação.”
Apesar do brilho em Edward, Japer caiu na gargalhada.
“Oh, não é educado rir do Senhor,” Isabella disse em uma voz solene. “Além disso, não é verdade. Eu estava completamente errada.”
Edward moveu uma mão para cobrir a boca para que ela não fosse deixar escapar qualquer outra coisa em seu estado de embriaguez. “Acho que você já disse o suficiente.”
Ele ignorou o olhar divertido de Japer e sinalizou que estava pronto para começar.
Japer fez uma careta, e algo muito parecido com simpatia brilhou em seus olhos quando Isabella sentiu a primeira picada da agulha.
Um gemido escapou de Isabella quando ele fez o segundo ponto.
“Depressa,” ela sussurrou.
“Eu irei, moça, eu irei.”
Na batalha sua mão nunca tremeu. Ele manteve-se estável em torno da espada. Nunca falhou com ele. Nem uma vez. No entanto, aqui, fazendo uma tarefa tão simples quanto costurar com agulha a pele, ele teve que chamar em cada fibra do seu controle para manter seus dedos precisos.
Pelo tempo que ele apertou o ponto final, Isabella tremia incontrolavelmente debaixo de sua mão. Os dedos de Japer estavam brancos da pressão que exercia sobre o ombro, e Edward tinha certeza que ficaria marcas. “Solte-a,” Edward disse em voz baixa. “Terminei.”
Japer lançou seu ombro e Edward acenou do quarto. Depois de Japer fechar a porta atrás dele, Edward estendeu a mão para tocar a bochecha de Isabella somente encontrou-o molhado de lágrimas.
“Sinto muito, moça. Sinto muito, era necessário por machucá-la.”
Ela abriu os olhos bem fechados, e as lágrimas brilhavam no fundo azul. “Não doeu muito, muito.”
Ela estava deitada, mas ele sentiu uma onda de orgulho em sua bravata.
“Por que você não descansa um pouco agora? Vou ter Jane trazendo-lhe uma tisana[1] para a dor.”
“Obrigado, Edward,” ela sussurrou.
Ele se inclinou e roçou um beijo em sua testa. Esperou até que ela fechasse os olhos antes de recuar e retirar-se da câmara.
Fora da porta, seu comportamento mudou rapidamente de zelador para guerreiro.
Ele foi em busca de Jane em primeiro lugar e deu-lhe instruções para não deixar a cabeceira de Isabella. Então encontrou Eleazar, Demetri, e Garrett no pátio questionando seus homens.
“Vocês já encontraram alguma coisa?” Perguntou ele.
“Nós ainda temos a maioria dos homens para questionar, Senhor. Vai demorar algum tempo,” disse Garrett. “Havia muitos homens praticando arco e flecha, mas ninguém pode explicar o erro.”
“Isso é inaceitável. Alguém acertou a Senhora Cullen seja por acidente ou com intenção. Quero esse homem.” Virou-se para Demetri. “Você não estava supervisionando o arco-e-flecha? Você não pode responder por seus homens?”
Demetri inclinou a cabeça. “Sim, Senhor, assumo total responsabilidade. Cada um debaixo de mim será interrogado longamente. Vou encontrar o homem responsável.”
Edward balançou a cabeça tristemente. “Não vou ter as crianças deste castelo desprotegidas. É como Isabella diz. Eles deveriam ter um lugar seguro para brincar e as crianças sem suas mães preocupadas se vão ser mortas por uma flecha perdida. A partir de agora, as crianças vão brincar atrás do castelo junto à colina, longe de onde os homens treinam.”
“Onde eles brincam agora é muito distante do pátio,” disse Eleazar com uma carranca feroz. “O que aconteceu hoje não devia ter ocorrido.”
“Sim, mas aconteceu,” Edward ficou um pouco para trás. “Não quero isso acontecendo novamente. Você reunirá os homens após o interrogatório. Eu quero enfrentá-los.”
Foi bem antes da meia-noite que Edward marchou cansado até seu quarto. Eles questionaram cada membro do clã, mesmo as crianças, e ninguém conseguia lembrar de ter visto nada de errado. Os homens que praticaram tiro com arco juraram que nenhum deles foi responsável, e ainda assim a flecha tinha sido uma flecha Cullen. Não havia nenhuma dúvida sobre isso. Depois, ele tinha dado a seus homens uma bronca para serem mais cuidadosos em seu treinamento. Se eles não podiam manter o povo de seu próprio clã seguro de si mesmos, como iriam protegê-los das ameaças externas?
Edward entrou em seu quarto, e Jane agitou de sua posição pelo fogo.
“Como ela está?” Edward perguntou em voz baixa.
Jane levantou-se e rastejou silenciosamente para ficar na frente de Edward. “Ela está descansando melhor agora. Estava com dor antes, mas depois que dei-lhe a tisana, se acalmou e foi capaz de descansar melhor. Mudei a bandagem a algumas horas. O sangramento parou. Você fez um bom trabalho de costura nela, Senhor.”
“Qualquer sinal de febre?”
“Ainda não. Ela é fria ao toque, apenas inquieta. Acho que vai ficar bem.”
“Obrigado, Jane. Você pode retirar-se para sua casa agora. Aprecio você ter ficado com Isabella.”
“Estava feliz por fazê-lo, Senhor. Se você necessitar de qualquer outra coisa, avise-me.”
Ela balançou numa reverência e depois passou por ele e para fora da porta.
Edward despiu-se e caiu na cama ao lado de Isabella, cuidando para não acordá-la. Tão logo seu corpo tocou-a, ela se mexeu e se aconchegou em seus braços como um gatinho quente numa noite fria. Ela soltou um suspiro profundo contra seu pescoço e começou a embrulhar as pernas em torno de sua cintura, jogando um braço sobre seu corpo.
Ele sorriu. Era uma coisa possessiva na cama. Ela considerava seu corpo seu território e não tinha escrúpulos em reclamar sempre que ele chegava perto. Não que ele reclamaria. Na verdade, havia algo sobre ter uma moça, quente e doce enrolada em torno dele que o abalava mais do que jamais imaginou ser possível.
Ele tocou um fio de cabelo, permitindo que enrolasse a ponta no seu dedo. Não era um homem dominado pelo medo, mas quando percebeu que Isabella tinha sido atingida, ele sofreu um calafrio de terror diferente de tudo que já tinha conhecido. A ideia de que poderia ter perdido ela, não sentou bem para ele.
Ele poderia ter um monte de desculpas, incluindo a maior, que se ela morresse, Forks Hill nunca seria seu. Seu clã nunca seria reconstruído. A vingança nunca seria sua. Todas essas coisas eram verdadeiras. Mas a simples verdade é que não queria perdê-la. Nenhuma das outras coisas tinha sequer passado pela sua cabeça quando freneticamente examinou seus ferimentos.
Sim, a moça estava ficando sob sua pele. Estava certo sobre isso a partir do momento que primeiramente colocou os olhos nela. Ela era definitivamente um problema.


[1] A tisana é um tipo de infusão que consiste em adicionar ervas medicinais a água a ferver durante cinco ou seis minutos num recipiente tapado. Após esse tempo retira-se o recipiente do fogo, deixando descansar (ainda tapado) por cerca de 15 minutos. A tisana está pronta a ser consumida, após ser coada e colocada numa chávena.

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